![[Desalento.bmp]](https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjdmBvCk_UOgq6MlvBy-YAj2NsFlyALz4Ud185rP7ITlY2BArTsHnS1u3euu2c_zqqSQ7baGrgNPEkGyjPaXAHmpihj0AfjrgG3_7dzHuaUtYT5J_5L2bDNceU6HI44sZhAhseRTzdB8OQ/s1600/Desalento.bmp)
Eu tinha uns olhos de neve
no tempo do vendaval;
sob os olhos, flores geladas;
por sobre o espelho tremente
finas bagas de cristal.
O tempo do vendaval
governa ainda os meus dias.
E um arrais de neves frias
põe cansaços de metal
nas doces melancolias.
Nas noites de lume fosco
sobre a água corredia,
um rosto que não tem rosto
e que se esfuma no dia
preside ao branco cenário
de uma única harmonia ...
Vendaval de mãos tão frias:
deslaça-me estes cabelos,
abre-me os braços sem elos,
faz de mim águas sombrias,
sem canto de rouxinóis
nem folhagem protetora,
nem melodias de aurora,
nem mansos beijos de sóis.
Inunda-me estes ouvidos
de raízes muito velhas;
põe longe as festas vermelhas
que eu tive nos meus sentidos,
e de uma vez para sempre
livra-me toda de mim.
Muito bonito e encantador o seu blog!
ResponderExcluirgrata lindinha ...
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